sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Uma história a bordo do navio “RIVADAVIA”

Recentemente escrevi nesta coluna sobre o 1º Encontro da Família Pereira que aconteceu em Mampituba no mês de outubro. Procurei naquela oportunidade salientar a importância dos encontros familiares, momentos raros em que os parentes reservam para se encontrar, recordar o passado e reatar laços que muitas vezes parecem estar prestes e se desprender pela correria do mundo moderno.
Esta semana encontrei um amigo pela internet que está procurando resgatar as origens de sua família e até está disposto a realizar um grande encontro de seus parentes em março do ano que vem em Torres. Estou me referindo ao grande amigo Alcinei Brocca, filho do saudoso Inê Brocca, neto do grande líder do século passado, Olívio Brocca, que entre outras virtudes foi um grande empreendedor para a época. Em 1948 Olívio Brocca fundou a empresa Mampituba, que fazia a Linha Seca até Torres (a linha recebia este nome porque só nos dias de sol era possível realizar a viagem), onde o motorista era seu filho Inê, pai de Alcinei.
Olívio, que tinha onze irmãos, era filho de Miguel, que por sua vez era filho de Luigi Brocca, um italiano que chegou ao Brasil, mais precisamente no porto de Laguna/SC, no ano de 1876. Luigi era o único Brocca na lista de ocupantes do navio chamado “RIVADAVIA”,  que transportava imigrantes italianos para a nova terra. Luigi deixou na Itália, na região próxima a cidade de Cremona, seus familiares e veio começar uma nova vida no Brasil, assim como vários outros “Broccas” que hoje habitam vários países da América Latina, e que aos poucos estão sendo encontrados pelo incansável Alcinei, que certamente vai conseguir reunir um grande número de descendentes cremonenses neste encontro que deverá entrar para a história da região.
Na década de 20, Miguel juntamente com os irmãos João e Daniel, veio para a região que hoje é chamada de Vila Brocca, e ali ajudaram a erguer uma das comunidades mais prósperas da época, até farmácia tinha na localidade no início da década de 70. Mas o destino de todos mudou drasticamente no dia 24 de março de 1974, quando a comunidade ficou praticamente destruída, com mais de 20 mortes, e pelo que sei, curiosamente, apesar de ser numerosa, nenhum membro da família que deu o nome a comunidade faleceu naquela desgraça.
Após a enchente, muitos foram obrigados a deixar Vila Brocca e reconstruírem suas vidas noutros locais. Grande parte foram morar em Torres, e muitos inclusive, se tornaram lideranças conhecidas na sociedade torrense, principalmente na política, até porque se tem uma família pra gostar de política em nossa região, é a família Brocca. Gostam de política porque são pessoas extrovertidas, que tem iniciativa própria, gostam de defender suas teses e opiniões junto a sociedade. E assim, como há mais de 150 anos Luigi teve coragem de recomeçar uma nova vida noutro continente, da mesma forma que em 1948 Olívio, sentiu a necessidade da população e criou a Empresa Mampituba, hoje não são poucos os “Broccas” que continuam a fazer história, história que continuará nas mãos das futuras gerações, nos filhos, netos, bisnetos, do Alcinei e de outros, que com certeza haverão de manter viva a história desta família “cremonesa”.

Coluna Publicada em 03/12/2011

2 comentários:

  1. Cada vês mais eu acredito na capacidade das pessoas , de agregar outras pessoas, a cada dia sei de um brocca que descobrio outro brocca, através da comunicação pela internet , hoje estamos todos conctados não só pra comentat sobre o jogo de futebol masi para buscar nossas historias de nossas familias e de nosso passado, agradeço muito a ti luciano pois pessoas com tua iniciativa nos nutrem com nais energia para continuar com este objetivo de ver as familias mais proximas, como eramos quando nas decadas de 50 s 70 tinhamos uma vida familiar bem mais contato e tinhamos um convivio
    bem mais proximo.grande abraço

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pelo relato. Muita luta e desafios foram superados por estes heróis que hoje servem de exemplos para as atuais e futuras gerações.

    ResponderExcluir