A tramitação de um projeto de lei no Congresso Nacional que passa a tratar como crime "o ato de dirigir alcoolizado" e um capotamento incrível que aconteceu no último sábado (felizmente sem mortes) na RS 494 em Vila São Jacó, me levaram pela segunda vez a tratar neste espaço, sobre a violência no trânsito, que mata todos os anos mais de 40 mil pessoas em nosso país, onde aproximadamente 10 mil desses mortos, são vítimas de acidentes com motocicletas.
Todos sabem e concordam que a principal causa de acontecerem tantos acidentes e mortes no trânsito em nosso país é a imprudência. Mas porque os acidentes continuam acontecendo? Onde estão as causas para tanta imprudência? E afinal, por que tantas mortes no trânsito não servem de exemplo para que ainda estão vivos dirigirem com mais cuidado?
Eu considero uma das principais causas para tanta imprudência o excesso de auto-confiança, onde os pilotos confiam demais na sua habilidade em dirigir, se achando capazes o suficiente para que na "hora do aperto" (linguagem popular nas estradas) com sua perícia no guidão ou no volante, evitarem o risco de acidentes se por ventura acontecerem. E esta auto-suficiência transforma o exímio piloto num motorista perigoso.
Há meus amigos, uma diferença muito grande entre ser "piloto" e ser "motorista", palavras que deveriam ser sinônimas, mas que muitas vezes andam distantes, e quando acontece isso, o "piloto" deixa de ser motorista, e situações que resultam em acidentes se tornam mais freqüentes.
O "piloto" é perito na condução de seu veículo, sabe guiar com maestria, tem vocação para acelerar, frear," tirar fino" dos outros quando quiser, e no caso da moto, então nem se fala, há uma infinita variedade de manobras que permite ao "piloto" expor suas habilidades. No entanto em algumas vezes, o "piloto" deixa de ser "motorista", ao não respeitar as leis e muito menos as condições que as estradas oferecem para pilotar. Por se achar auto-suficiente demais, acaba transformando seu carro numa arma, pondo em risco a sua vida, a de seus passageiros, e de muitas outras pessoas que estão na estrada. Isso sem contar quando dirige bêbado e o risco de provocar acidentes aumenta consideravelmente.
Já com o "motorista" é diferente, ele não dirige embriagado, respeita a legislação, mantém a mecânica de seu veículo em dia, e acima de tudo procura conhecer seus limites, pessoas que se cuidam e se preocupam com a vida dos outros. O verdadeiro motorista não se exibe quando pega um volante, porque sabe da responsabilidade que existe quando se guia, procurando sempre praticar a direção defensiva, evitando manobras bruscas que põem em risco a vida de muitas pessoas.
Se você se acha um bom piloto na direção, ótimo! mas faça uma análise se você está sendo um bom motorista, e como você se comporta em nossas estradas e rodovias. Se todos os "pilotos" um dia se tornarem "motoristas" de verdade, com certeza a quantidade de acidentes e mortes nas estradas reduziria consideravelmente.
Coluna publicada em 11/11/11
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