sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que país é esse?

“Nas favelas, no Senado
 Sujeira pra todo lado
 Ninguém respeita a Constituição
 Mas todos acreditam no futuro da nação
 Que país é esse?”

A estrofe acima, do poeta Renato Russo, nem parece que já foi escrita há 24 anos, e pelo que vimos pouca coisa mudou nesse país em quase um quarto de século. Embora tenhamos alcançado alguns avanços consideráveis na área econômica, onde passamos a ser chamados de "País Emergente”, pois  quem diria, já temos dinheiro em caixa até para emprestar ao FMI.
Mas se aumentou o poder de compra da população, infelizmente não se consegue apresentar o mesmo crescimento na área social, principalmente no que se refere a saúde e educação.
Voltando ao ano de 1987 no auge do sucesso da Banda Legião Urbana, eu cursava a 8ª série na Escola Estadual Nossa Sra. Glória da Pirataba e uma greve de 96 dias (a maior já feita pelo CEPERS) quase comprometeu o ano letivo, que ficou muito bagunçado pelo acúmulo de dias letivos atrasados, que acabaram sendo recuperados aos sábados, em algumas tardes e acabamos tendo que entrar o mês de dezembro a dentro para concluirmos o ano.
Nós gaúchos (ou pelo menos alguns) dizemos orgulhosamente que somos o estado mais politizado do Brasil. Mas será que isso é mesmo verdade? E se for verdade, coitado dos outros. Pois um estado, onde o Governo em mais de 30 anos nunca conseguiu falar a mesma linguagem do professorado, não pode ser considerado como politizado, pelo contrário, está muito longe disso.
Na época da greve em 1987, eu tinha apenas 14 anos, mas ainda lembro dos prejuízos causados por aquela paralisação. Hoje, são meus filhos (que não são alunos da rede estadual), que estão chegando nesta idade, e me entristece saber que 24 anos depois, ainda não foi possível um diálogo concreto entre governo e  professores, onde a greve ainda é a principal arma de uma classe para reivindicar seus direitos.
Falando como ex- aluno e como pai, não sou contra as greves, apenas lamento que o tema educação seja encaminhado dessa forma, onde as conquistas venham somente através de paralisações, onde as principais vítimas são sempre os alunos.
Se somos de fato um estado politizado, porque não realizar um grande debate estadual, onde governo, professores, pais e alunos, discutam o futuro da educação, levando em conta a situação financeira do estado, os direitos trabalhistas dos professores (inclui-se aí o piso salarial) e a qualidade da educação que nossos filhos receberão no futuro, como por exemplo a reestruturação do ensino médio, uma revolução prevista para iniciar em 2012 que a grande maioria dos pais e alunos nem sabem direito o que é.
Mas essa tem que ser uma discussão séria, com olhares a médio e longo prazo, numa pauta sem promessas, constituída apenas de metas a serem atingidas. Num projeto que ultrapasse inclusive as próximas eleições estaduais, porque educação está muito acima de qualquer governo, de qualquer partido (até porque todos já foram governo e nenhum conseguiu resolver de fato o problema), onde cada um tenha responsabilidade e assuma a sua parte. Caso contrário nada mudará: a greve continuará sendo a principal arma do CEPERS, os discursos e contradições dos governos continuarão os mesmos, e quem sabe, daqui 24 anos, serão meus netos que estarão perguntando: "Que país é esse?"

 Coluna publicada em 25/11/2011

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