sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O vício de comer fogo

Quando meu filho tinha apenas três anos de idade, ele deparou-se pela primeira vez com um fumante tragando suavemente um cigarro bem a sua frente. A cena causou um espanto tão grande no menino que instantaneamente ele lascou uma frase memorável que jamais esquecerei sobre este comportamento humano: “Ué? Comendo fogo?” E daquele dia para cá sempre me pergunto: Porque as pessoas insistem em “comer fogo”? Mesmo sabendo dos males que o cigarro faz a saúde, sem contar o custo financeiro deste vício, que movimenta bilhões de dólares em nosso planeta.
No Brasil todos os anos, morrem 200 mil pessoas por causa do vício de “comer fogo”. O cigarro mata mais sozinho, que a soma de todas as mortes causadas por AIDS, acidentes de trânsito, suicídios e também pelo consumo de outras drogas. No mundo são três milhões de mortes todos os anos, causadas pelo tabagismo. O tabaco possui o honroso título de ser a cultura agrícola não alimentícia mais importante do planeta. É importante lembrar que segundo o Ministério da Saúde, um cigarro possui 4.720 substâncias tóxicas, onde a nicotina é apenas uma delas.
Felizmente o hábito de fumar perdeu o glamour que tinha no passado, além de existirem menos fumantes, os que insistem em manter o vício, têm consciência do mal que o cigarro faz para sua saúde e para os que convivem próximo a fumantes, tanto que nas últimas décadas, o relacionamento e o convívio entre fumantes e não-fumantes melhorou consideravelmente, e isso precisa ser ressaltado.
Confesso, que não morro de amores pela Rede Globo, não assisto novelas, e nem o Jornal Nacional é o meu telejornal favorito. Mas aprovo a iniciativa do programa Fantástico, que no último domingo, em parceria com o SESC e o Instituto de Combate ao Câncer (Inca), iniciou “mais uma” campanha de combate ao tabagismo, a “Brasil Sem Cigarro”, coordenada pelo Dr. Drauzio Varella. Utilizo o termo “mais uma”, não por considerá-la ineficaz, pelo contrário, essas campanhas são super importantes, cada uma representa um passo a frente nesta luta, e se talvez elas não consigam alcançar o objetivo com os fumantes a curto prazo, com certeza muitos jovens ao verem na reportagem aquele “pulmão podre e chamuscado”, vão pensar duas vezes antes de pegarem um cigarro para fumar, e se conseguirmos neste primeiro momento, pelo menos conscientizar os jovens que ainda estão livres do vício, estas campanhas já terão valido a pena.
Embora não fumante, reconheço que não é fácil parar de fumar, mas o relato de muitos que abandonaram o vício, me permite afirmar que mesmo sendo muito difícil, abandonar o vício não é impossível. Essa atitude vai exigir muita força de vontade, um esforço enorme, que lá na frente valerá a pena, porque nada, absolutamente nada, vale mais do que a nossa saúde, e não precisa de nenhum outro motivo para provar que fumar, além de rasgar dinheiro, não leva ninguém a lugar nenhum.

Coluna publicada em 18/11/2011

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