sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fogo amigo

Não pretendo de forma alguma usar este espaço para levantar questões políticas ou partidárias, principalmente por estarmos nos aproximando de mais um ano eleitoral. Mas os acontecimentos da última semana na Câmara de Vereadores, que têm sido o principal assunto nos bate-papos pelo município me levaram a escrever algumas linhas sobre este tema que pegou a todos, ou “quase todos” de surpresa.
Quando o PTB passou a ocupar secretarias no governo e o vereador César (Presidente da Câmara em 2011) votou a favor da administração em alguns projetos estratégicos para o Prefeito Pedrão, uma dúvida permanecia na cabeça de todos aqui em Mampituba. Ele (César) iria cumprir o acordo firmado no início de 2009 pela então bancada de oposição e eleger Astengo para presidente do Legislativo Municipal  em 2012? Ou romperia o trato e abriria o voto a favor de alguém do PT ou do PMDB?
Pois caro leitor, para a surpresa de todos uma manobra política nunca vista antes no município fez com que o voto do Vereador César ficasse  tão insignificante que ninguém no município nem lembra mais em quem ele votou na última segunda-feira. Aconteceu que César cumpriu o acordo e abriu voto a favor de Astengo, mas um fato novo fez com que o sonho de Astengo chegar a presidência no ano da eleição municipal se desmoronasse graças ao chamado “fogo amigo” de outro vereador tucano, José Dirceu. Pois este, que já havia sido presidente da Casa em 2009, na última hora apresentou uma chapa formada pelo seu nome e dos governistas Paulinho, Pedro Roldão e Ernani, que juntamente com o voto do vereador Ricardo, garantiram a sua vitória e provocou muito desconforto na base oposicionista da câmara principalmente dentro do PSDB.
Com a nova realidade política, muitas perguntas estão sem resposta neste fim de ano em Mampituba. 1) A vitória de José Dirceu mostra que existe um racha interno dentro da oposição. E de que tamanho é este racha? E Até que ponto essa eleição poderá interferir na escolhas dos candidatos para o ano que vem? 2) Como José Dirceu vai se comportar na função de presidente tendo como colegas de Mesa somente vereadores da situação? Terá ele um comportamento flexível ou rigoroso na condução dos trabalhos? 3) Com esta articulação José Dirceu sai fortalecido ou perderá força para ser o possível candidato da oposição em 2012? 4) Com este impasse dentro do PSDB, o PP poderá tomar a frente da oposição? 5) O PT e o PMDB fizeram bem em abrir mão de montar uma chapa pura para a eleição dando a presidência de mão beijada para o PSDB? Ou deveriam insistir na tentativa de convencer César a votar em algum edil da situação?

A verdade é que estamos cercados de várias incertezas diante desta nova conjuntura política, e ninguém sabe ao certo os caminhos que serão trilhados no próximo ano. E como em política tudo pode acontecer, quem sabe não teremos ainda outras surpresas nos próximos meses?
Quem viver verá!

Coluna publicada em 16/12/2011

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