sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Uma história que começou há 568 anos

Depois de relatar aqui na semana passada um pouco da história da Família Brocca, esta semana vou contar aqui a história de outra família muito conhecida aqui em Mampituba, a história da minha família: “A Família Réus”, ou “Roiz”, como também é definida em “flamengo”, denominação dada aos habitantes da região de Flandres.
Até o ano de 1443 (57 anos antes do descobrimento do Brasil) os Réus habitavam na grande maioria a região de Flandres, norte da Bélgica, porém a partir desta data, alguns “Réus” vieram a ocupar a ilha do Faial no arquipélago dos Açores, onde permaneceram até o ano de 1748, época em que o conjunto de ilhas portuguesas sofreu muito com terremotos e erupções vulcânicas, motivos que incentivaram a muitos a buscarem um recomeço aqui no Brasil, que neste período era uma colônia portuguesa. 
Para instalarem a grande demanda de açorianos em nosso país, a Coroa Portuguesa criou em nosso território as chamadas sesmarias. Todos os Réus que viviam no arquipélago dos Açores acabaram se mudando para o Brasil neste período, sendo que vários receberam sesmarias, principalmente na região catarinense de Laguna como por exemplo: Manoel Roiz D’Araujo em 1753; Coronel Manoel Coelho Roiz em 1815 e  José Roiz Pereira em 1816.
Nos últimos anos do século XVIII, constam registros da Família Réus em Içara, onde Manoel José Réus possuía uma sesmaria de 4.000 braças de largura com 04 léguas de altura (equivalente hoje a 23.232 hectares).   Três filhos de José (Florentino José Réus, Joaquim José Réus e Manoel José Réus) continuaram habitando a região carbonífera, onde os Réus continuam instalados até os dias de hoje.
Joaquim José Réus casou com Zélia Silveira e teve 10 filhos: Florentino, Balduíno, Eleotero, Ângelo, Patrício, Lameu, José, Alexandrina, Joaquina e Eugênia.
Por volta de 1880, os três irmãos habitaram a localidade de Sanga Funda (Litoral Içarense), onde sues filhos cresceram e por lá também constituíram família. Patrício Joaquim Réus, casou-se com Maria Zélia de Jesus de onde nasceram 08 filhos: Bento, Zélia, Joaquim, Aníbal, Tonica, Balduíno, Aniceto e Manoel. Na década de 40, Patrício migrou de Içara para a região de Rio de Dentro, hoje Mampituba, onde seus descendentes (entre eles eu) habitam até hoje.
O mais velho dos filhos de Patrício é Bento Patrício Réus, meu avô, que ontem dia 08/dez, completou 90 anos de vida, e diga-se 90 anos bem vividos, nove décadas inteiras dedicadas a família ao trabalho, à comunidade e à sociedade.
Meu avô sempre foi um homem trabalhador, honesto, religioso e coerente na defesa de suas idéias, um exemplo de vida a todos que o conhecem. É muito bom poder comemorar com ele seu aniversário de 90 anos, ainda mais ao vê-lo com saúde e com uma lucidez de dar inveja há muitos jovens. Ele é uma prova viva de que a velhice não está na certidão de nascimento e sim na cabeça. Por isso todos nós, seus descendentes, temos muito orgulho dele e de seu exemplo de vida.

Coluna publicada em 09/12/2011

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