O que não faltam nos dias de hoje são pessoas se queixando da vida e de todos: reclamam da falta de dinheiro, do vizinho, do prefeito, do padre, do patrão, da vida de casado(a), as vezes sobram reclamações até para os filhos. Nunca a vida parece estar boa de verdade, se chove as pessoas querem sol, se tem sol, reclamam do calor e querem a chuva novamente. A última moda é ficar descontente com o próprio corpo, como se precisássemos para viver, estar sempre lamentando alguma coisa.
Porém uma frase do uruguaio Gustavo Zerbino me chamou a atenção no último domingo numa reportagem de televisão. “Reclama da vida quem está bem. Quem está realmente mal, cerra os dentes e segue em frente”. Para quem não sabe, Gustavo Zerbino é um dos sobreviventes do acidente aéreo que em 1972 deixou um grupo de 29 uruguaios, durante 72 dias, isolados na Cordilheira dos Andes, sendo obrigados a comer carne humana dos passageiros que morreram no desastre para conseguirem sobreviver nas temperaturas negativas das montanhas chilenas.
Várias são os exemplos de pessoas que passaram por momentos mais próximos da morte que dá própria vida, como os 33 mineiros que em 2010 ficaram durante 69 dias soterrados numa mina no norte do Chile. Mas situações como essas também são comuns aqui bem próximo de nós, como as vividas nas grandes enchentes (1974, 1995 ou 2007) ou mesmo durante o Furacão Catarina (2004). Inúmeros foram os casos de pessoas que em certo momento chegaram a pensar que talvez tudo estivesse perdido. E é justamente nessas horas que podemos constatar como a frase de Zerbino é verdadeira.
É impressionante como estamos acostumados a reclamar da vida quando estamos bem, motivos que parecem ser tão importantes na vida, mas que nas horas verdadeiramente difíceis , eles nem sequer são lembrados, ficam de lado, pois o que importa naquela hora é viver. Aí vem a reza, a oração, o perdão aos desafetos, e principalmente a vontade de viver e dar a volta por cima.
Por isso amigos, se temos tempo para nos preocupar com os vizinhos, se achamos que nosso salário deveria ser bem maior, se a Presidente deveria trocar algum Ministro, ou mesmo se estamos descontentes com alguns “quilinhos” a mais em nosso corpo, alegrem-se, porque este é um sinal de que nossa vida está indo muito bem, e que devemos aproveitá-la ao máximo.
Precisamos aprender a olhar com mais carinho as coisas boas da vida, aos valores familiares. Dedicarmos alguns momentos de nossa vida para a religião, e nos envolvermos com alguma atividade que seja realmente útil para a sociedade. È nossa obrigação deixarmos o pessimismo um pouco de lado, e valorizarmos mais aquilo que já temos, em vez de ficarmos desejando o que está distante de nós.
Nossa sociedade atualmente está muito individualista, cada um só pensa em si, e isso tem feito muito mal para as pessoas. Prova disso é que vivemos num planeta povoado de pessoas infelizes, onde o consumo de drogas e álcool cresce assustadoramente, lotando nossas clínicas, que já estão abarrotadas de pessoas com depressão, que tornou se a grande doença do século XXI, deixando para trás, outras moléstias como o câncer, a AIDS e as doenças cardiovasculares.
Por isso amigos: Viva mais e reclame menos, e nunca se esqueça da frase desse uruguaio que enfrentou e conseguiu superar as verdadeiras adversidades da vida.
Coluna publicada na edição do dia 13 de janeiro de 2012
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