sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Da "Ganjika" ao "Crack"

As drogas começaram a ser consumidas pelos seres humanos há mais de 5 mil anos, pelos “hindus’ na Índia e no Nepal. Num período em que ainda não existiam os narcóticos químicos, o jeito era se virar com o que tinha na natureza, e aí descobriu-se os poderes alucinógenos de uma planta que na época era chamada de “ganjika” (a popular maconha), uma droga que hoje é  considerada por muitos como “ultrapassada“.  A ganjika que no início chegou a ser utilizada em cultos religiosos, possui poderes farmacológicos e se popularizou em todos os continentes no início  do século passado, tendo hoje aproximadamente 120 milhões de usuários em todo o planeta.
Com o descobrimento da América uma planta natural dos Andes tem feito a cabeça de muita gente, estou me referindo a “coca”, um arbusto muito conhecido dos nativos americanos há mais de 1200 anos mascavam suas folhas e a ingeriam na forma de chás. As folhas de coca chegaram na Europa por volta de 1580, e curiosamente, assim como a “ganjika”, chegou a ser utilizada em cultos religiosos. Em 1863 o químico italiano Ângelo Mariani desenvolveu uma infusão alcoólica a base de folhas de coca conhecida como “Vinho Mariani”, que tinha entre seus principais apreciadores o Papa Leão XIII e o francês Frédéric Bartholdi, o criador da Estátua da Liberdade. Das folhas da coca, é extraído um dos ingredientes do principal refrigerante do planeta, a Coca-Cola.
Porém este lado aparentemente romântico das drogas parou aí, daqui pra frente vamos tratar do lado negro do consumo de entorpecentes e os males que eles fazem para o ser humano e para a sociedade.
Das folhas de coca começou a ser extraída uma “pasta”, obtida através da utilização de solventes, como a querosene e o ácido sulfúrico (água de bateria). Posteriormente, esta pasta é dissolvida em acetona e éter, chegando-se enfim ao pó branco, popularmente conhecido como “cocaína”.
Durante muito tempo a maconha era considerada como a droga dos pobres, enquanto que a cocaína, com preço mais elevado, era chamada de “a droga dos ricos”. Isso durou até o surgimento do Crack na década de 60. Uma mistura de cocaína, água e bicarbonato de sódio, que proporcionou as camadas mais pobres dos Estados Unidos o acesso as drogas químicas.
No início, as drogas eram um sinônimo de rebeldia, de luta contra preconceitos e de busca por liberdade. Muito popularizadas nos grandes centros urbanos, as drogas sempre “tiveram” dificuldades em penetrar nas comunidades do interior, as maiores barreiras para este avanço era o comportamento mais conservador do homem interiorano, fundamentado principalmente em princípios religiosos.  Mas como eu disse, elas “tiveram” dificuldades, porque o que encontram hoje é um enorme campo aberto, diante de um público jovem, que se transformou num grande mercado consumidor, como nunca se viu antes. Proporcionalmente, não existe mais diferença, entre o consumo de drogas nos grandes e nos pequenos municípios.
Porque isso aconteceu?
Semana que vem continuaremos abordando este tema.

Coluna publicada no dia 20 de janeiro de 2012.




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