As drogas começaram a ser consumidas pelos seres humanos há mais de 5 mil anos, pelos “hindus’ na Índia e no Nepal. Num período em que ainda não existiam os narcóticos químicos, o jeito era se virar com o que tinha na natureza, e aí descobriu-se os poderes alucinógenos de uma planta que na época era chamada de “ganjika” (a popular maconha), uma droga que hoje é considerada por muitos como “ultrapassada“. A ganjika que no início chegou a ser utilizada em cultos religiosos, possui poderes farmacológicos e se popularizou em todos os continentes no início do século passado, tendo hoje aproximadamente 120 milhões de usuários em todo o planeta.
Com o descobrimento da América uma planta natural dos Andes tem feito a cabeça de muita gente, estou me referindo a “coca”, um arbusto muito conhecido dos nativos americanos há mais de 1200 anos mascavam suas folhas e a ingeriam na forma de chás. As folhas de coca chegaram na Europa por volta de 1580, e curiosamente, assim como a “ganjika”, chegou a ser utilizada em cultos religiosos. Em 1863 o químico italiano Ângelo Mariani desenvolveu uma infusão alcoólica a base de folhas de coca conhecida como “Vinho Mariani”, que tinha entre seus principais apreciadores o Papa Leão XIII e o francês Frédéric Bartholdi, o criador da Estátua da Liberdade. Das folhas da coca, é extraído um dos ingredientes do principal refrigerante do planeta, a Coca-Cola.
Porém este lado aparentemente romântico das drogas parou aí, daqui pra frente vamos tratar do lado negro do consumo de entorpecentes e os males que eles fazem para o ser humano e para a sociedade.
Das folhas de coca começou a ser extraída uma “pasta”, obtida através da utilização de solventes, como a querosene e o ácido sulfúrico (água de bateria). Posteriormente, esta pasta é dissolvida em acetona e éter, chegando-se enfim ao pó branco, popularmente conhecido como “cocaína”.
Durante muito tempo a maconha era considerada como a droga dos pobres, enquanto que a cocaína, com preço mais elevado, era chamada de “a droga dos ricos”. Isso durou até o surgimento do Crack na década de 60. Uma mistura de cocaína, água e bicarbonato de sódio, que proporcionou as camadas mais pobres dos Estados Unidos o acesso as drogas químicas.
No início, as drogas eram um sinônimo de rebeldia, de luta contra preconceitos e de busca por liberdade. Muito popularizadas nos grandes centros urbanos, as drogas sempre “tiveram” dificuldades em penetrar nas comunidades do interior, as maiores barreiras para este avanço era o comportamento mais conservador do homem interiorano, fundamentado principalmente em princípios religiosos. Mas como eu disse, elas “tiveram” dificuldades, porque o que encontram hoje é um enorme campo aberto, diante de um público jovem, que se transformou num grande mercado consumidor, como nunca se viu antes. Proporcionalmente, não existe mais diferença, entre o consumo de drogas nos grandes e nos pequenos municípios.
Porque isso aconteceu?
Semana que vem continuaremos abordando este tema.
Coluna publicada no dia 20 de janeiro de 2012.
Coluna publicada no dia 20 de janeiro de 2012.
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