sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os perigos do vício

Ele atormenta a humanidade faz bastante tempo. Há séculos o homem tenta desvendá-lo e principalmente dominá-lo, mas infelizmente esse objetivo ainda não foi alcançado e sequer há indícios que essa meta será atingida em nossa geração. Estou falando do “vício”, esse hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. O vício se manifesta no ser humano de várias formas: uns são viciados em comer, outros em jogar, alguns ficam horas em frente ao computador e há também os compulsivos em comprar,  que adquirem o que podem e o que não podem pagar. Mas sem dúvida, os piores vícios são os que estão ligados a dependência, como os fumantes, os alcoólatras e os usuários de drogas. Os especialistas não gostam muito de usar a palavra "vício" preferem falar em dependentes químicos ou vítimas de comportamentos compulsivos, mas a verdade é que independentemente da forma como são chamados, a legião de viciados cresce sem parar e chama a atenção dos especialistas, dos governos e da sociedade em geral, que ainda não sabe muito bem como tratar destas pessoas e o que fazer para ajudá-las a voltar a controlar suas vidas.
Considero o consumo de drogas um dos principais problemas da sociedade moderna. Ao consumir qualquer tipo de entorpecente, o usuário em primeiro lugar além de estar prejudicando seriamente sua própria saúde, estará ainda alimentando o tráfico de drogas, que tem causando tantas mortes e levando tantas as famílias a desgraça em nosso país. Diretamente ou indiretamente, quem consome drogas ilícitas está sendo cúmplice do crime organizado, organização que tem tirado a vida de tanta gente que na ânsia de ganhar dinheiro fácil, acabam se enrolando com esta gente e mais cedo ou mais tarde, pagam suas dívidas com a própria vida.
Como citei aqui na semana passada, as drogas chegaram pra valer em nosso inteiror. Elas estão sendo vendidas e consumidas em todas as comunidades. Alguns de nossos amigos já estão começando a ter a vida enrolada com o crime organizado e os primeiros casos de jovens dependentes químicos, começam a aparecer, levando muitas pessoas ao sofrimento numa luta incansável contra este mal. Aliás como sempre, nessas horas, acaba estourando na família, e os amigos, que na verdade não passam de aproveitadores, desaparecem. Porque amigo de verdade, não oferece droga para outro amigo, da mesma forma como muitos traficantes não usam drogas e procuram sempre manter seus filhos longe do vício.
Mas o que leva uma pessoa a usar os narcóticos? Na minha humilde opinião, de quem conhece usuários há mais de 20 anos, o principal motivo que leva um jovem a experimentar qualquer droga pela primeira vez é a sua própria curiosidade e nada mais. Problemas familiares associados a carência afetiva, contribuem para o problema, mas sem dúvida, o prazer pelo proibido, tão comum na juventude, ainda é o principal motivador ao consumo de drogas. Por mais que o tema seja discutido na mídia (Ex. Campanha Crack Nem Pensar), por mais que iniciativas governamentais sejam realizadas (Ex. PROERD), por mais que as Igrejas e a sociedade organizada em geral, levantem a bandeira contra as drogas, o consumo não para de aumentar entre os jovens, todas as ações parecem ineficazes, diante deste problema que assusta e muito a sociedade atual. Na próxima semana voltarei a escrever sobre as drogas, principalmente sobre a importância da família na luta para frear o crescimento do consumo de alucinógenos entre  nossos moços e moças.

Coluna publicada em 27 de janeiro de 2012

Da "Ganjika" ao "Crack"

As drogas começaram a ser consumidas pelos seres humanos há mais de 5 mil anos, pelos “hindus’ na Índia e no Nepal. Num período em que ainda não existiam os narcóticos químicos, o jeito era se virar com o que tinha na natureza, e aí descobriu-se os poderes alucinógenos de uma planta que na época era chamada de “ganjika” (a popular maconha), uma droga que hoje é  considerada por muitos como “ultrapassada“.  A ganjika que no início chegou a ser utilizada em cultos religiosos, possui poderes farmacológicos e se popularizou em todos os continentes no início  do século passado, tendo hoje aproximadamente 120 milhões de usuários em todo o planeta.
Com o descobrimento da América uma planta natural dos Andes tem feito a cabeça de muita gente, estou me referindo a “coca”, um arbusto muito conhecido dos nativos americanos há mais de 1200 anos mascavam suas folhas e a ingeriam na forma de chás. As folhas de coca chegaram na Europa por volta de 1580, e curiosamente, assim como a “ganjika”, chegou a ser utilizada em cultos religiosos. Em 1863 o químico italiano Ângelo Mariani desenvolveu uma infusão alcoólica a base de folhas de coca conhecida como “Vinho Mariani”, que tinha entre seus principais apreciadores o Papa Leão XIII e o francês Frédéric Bartholdi, o criador da Estátua da Liberdade. Das folhas da coca, é extraído um dos ingredientes do principal refrigerante do planeta, a Coca-Cola.
Porém este lado aparentemente romântico das drogas parou aí, daqui pra frente vamos tratar do lado negro do consumo de entorpecentes e os males que eles fazem para o ser humano e para a sociedade.
Das folhas de coca começou a ser extraída uma “pasta”, obtida através da utilização de solventes, como a querosene e o ácido sulfúrico (água de bateria). Posteriormente, esta pasta é dissolvida em acetona e éter, chegando-se enfim ao pó branco, popularmente conhecido como “cocaína”.
Durante muito tempo a maconha era considerada como a droga dos pobres, enquanto que a cocaína, com preço mais elevado, era chamada de “a droga dos ricos”. Isso durou até o surgimento do Crack na década de 60. Uma mistura de cocaína, água e bicarbonato de sódio, que proporcionou as camadas mais pobres dos Estados Unidos o acesso as drogas químicas.
No início, as drogas eram um sinônimo de rebeldia, de luta contra preconceitos e de busca por liberdade. Muito popularizadas nos grandes centros urbanos, as drogas sempre “tiveram” dificuldades em penetrar nas comunidades do interior, as maiores barreiras para este avanço era o comportamento mais conservador do homem interiorano, fundamentado principalmente em princípios religiosos.  Mas como eu disse, elas “tiveram” dificuldades, porque o que encontram hoje é um enorme campo aberto, diante de um público jovem, que se transformou num grande mercado consumidor, como nunca se viu antes. Proporcionalmente, não existe mais diferença, entre o consumo de drogas nos grandes e nos pequenos municípios.
Porque isso aconteceu?
Semana que vem continuaremos abordando este tema.

Coluna publicada no dia 20 de janeiro de 2012.




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A frase de Zerbino


O que não faltam nos dias de hoje são pessoas se queixando da vida e de todos: reclamam da falta de dinheiro, do vizinho, do prefeito, do padre, do patrão, da vida de casado(a), as vezes sobram reclamações até para os  filhos. Nunca a vida parece estar boa de verdade, se chove as pessoas querem sol, se tem sol, reclamam do calor e  querem a chuva novamente. A última moda é ficar descontente com o próprio corpo, como se precisássemos para viver, estar sempre lamentando alguma coisa.
Porém uma frase do uruguaio Gustavo Zerbino me chamou a atenção no último domingo numa reportagem de televisão. “Reclama da vida quem está bem. Quem está realmente mal, cerra os dentes e segue em frente”. Para quem não sabe, Gustavo Zerbino é um dos sobreviventes do acidente aéreo que em 1972 deixou um grupo de 29 uruguaios, durante 72 dias, isolados na Cordilheira dos Andes, sendo obrigados a comer carne humana dos passageiros que morreram no desastre  para conseguirem sobreviver nas temperaturas negativas das montanhas chilenas.
Várias são os exemplos de pessoas que passaram por momentos mais próximos da morte que dá própria vida, como os 33 mineiros que em 2010  ficaram durante 69 dias soterrados numa mina no norte do Chile. Mas situações como essas também são comuns aqui bem próximo de nós, como as vividas nas grandes enchentes (1974, 1995 ou 2007) ou mesmo durante o Furacão Catarina (2004). Inúmeros foram os casos de pessoas que em certo momento chegaram a pensar que talvez tudo estivesse perdido. E é justamente nessas horas que podemos constatar como a frase de Zerbino é verdadeira.
É impressionante como estamos acostumados a reclamar da vida quando estamos bem, motivos que parecem ser tão importantes na vida, mas que nas horas verdadeiramente difíceis , eles nem sequer são lembrados, ficam de lado, pois o que importa naquela hora é viver. Aí vem a reza, a oração, o perdão aos desafetos, e principalmente a vontade de viver e dar a volta por cima.
Por isso amigos, se temos tempo para nos preocupar com os vizinhos, se achamos que nosso salário deveria ser bem maior, se a Presidente deveria trocar algum Ministro, ou mesmo se estamos descontentes com alguns “quilinhos”  a mais em nosso corpo, alegrem-se, porque este é um sinal de que nossa vida está indo muito bem, e que devemos aproveitá-la ao máximo.
Precisamos aprender a olhar com mais carinho as coisas boas da vida, aos valores familiares. Dedicarmos alguns momentos de nossa vida para a religião, e nos envolvermos com alguma atividade que seja realmente útil para a sociedade. È nossa obrigação deixarmos o pessimismo um pouco de lado, e valorizarmos mais aquilo que já temos, em vez de ficarmos desejando o que está distante de nós.
Nossa sociedade atualmente está muito individualista, cada um só pensa em si, e isso tem feito muito mal para as pessoas. Prova disso é que vivemos num planeta povoado de pessoas infelizes, onde o consumo de drogas e álcool cresce assustadoramente, lotando nossas clínicas, que já estão  abarrotadas de pessoas com depressão, que tornou se a grande doença do século XXI, deixando para trás, outras moléstias como o câncer, a AIDS e as doenças cardiovasculares.
Por isso amigos: Viva mais e reclame menos, e nunca se esqueça da frase desse uruguaio que enfrentou e conseguiu superar as verdadeiras adversidades da vida.

Coluna publicada na edição do dia 13 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Reveillon e a chuva

Há anos não tínhamos uma virada de ano como essa de 2012, abaixo de muita chuva, frustrando muita gente, que em muitos casos, trabalhou o ano inteiro, esperando com ansiedade a chegada dos dias situados entre o Natal e o Ano Novo, para sair da rotina e pegar uma praia, subir a serra ou quem sabe, acampar em alguma margem de nossos rios, sem contar os milhares que se deslocam somente para assistir as festas de Reveillon que acontecem a beira-mar em várias de nossas praias.
Mas para tristeza de muitos, nos defrontamos com muitas casas lotadas, abarrotadas de carros pelos gramados, onde os principais atrativos eram um carteado, assistir TV (e o que temos para assistir na TV nas tardes de sábado e domingo?) ou simplesmente dormir, dormir muito, até chegar ao ponto de ficar cansados de tanto dormir. Sol, calor, praia, nem pensar, apenas o frio, a chuva e a vontade de ficar dentro de casa, esperando o feriadão (que nem existiu neste ano) do ano novo, passar pela janela, num sentimento de frustração coletiva poucas vezes visto antes.
Se foi ruim para quem não pode aproveitar as férias como planejou durante o ano, foi pior, muito pior, para as várias famílias que em nossa região têm na temporada de veraneio a sua principal fonte de renda, pessoas que dependem do sol para faturar, esses sim, foram os mais prejudicados com o excesso de chuvas.
Mas como não poderia deixar de ser, também existe o lado bom desta história toda. A  verdade é que nunca vimos tantas famílias reunidas como nos dois últimos finais de semana. O mau tempo proporcionou para a maioria, um Reveillon diferente, onde os passeios e os banhos de mar (e de rio porque não?) foram substituídos pelos bate papos em família, que mesmo sem serem muito notados, foram muito mais comuns neste verão.
Inspirados nos programas de televisão e também por causa da chuva, meus filhos neste final de semana resolveram montar no computador uma apresentação de slides com a retrospectiva da nossa família ao longo do último ano, onde passo a passo, foram colocando as fotos de acordo como os fatos foram acontecendo, e para meu espanto, puder notar graças a iniciativa das crianças, que tivemos uma caminhada bem mais bonita e tranqüila, do que aquelas retrospectivas que vimos pela TV, recheadas de violência, mortes, catástrofes naturais e escândalos. Pude notar a importância de ao final de cada ano, fazermos a nossa própria retrospectiva, dos bons e dos maus momentos. Tudo isso pude notar graças à chuva, a mesma chuva que eu havia lamentado de ter me deixado preso dentro de casa.
Espero que todos os leitores tenham um ano de 2012 com muitos momentos exitosos, e se por ventura os momentos de dificuldade aparecerem, ao invés de lamentar, vamos procurar tirar deles algumas lições de vida. E para aqueles que gostam de leitura e tem acesso a internet, indico como uma leitura diária, o blog “Mensagem do Dia”  do “Mago" Paulo Coelho, no site “globo.com”. Adquiram este hábito diário no ano que se inicia, leiam e reflitam, isso vai ajudá-los a compreender os mistérios da vida e a relação do homem com Deus.

Coluna publicada na edição do dia 06 de janeiro de 2012