domingo, 22 de abril de 2012

Uma lenda viva completa 80 anos

Alguém muito especial para as comunidades que compõem hoje o Município de Mampituba estará completando 80 anos no próximo dia 27 de abril.  Por aqui, ajudou a erguer muitas de nossas coumnidades, lutou pela construção de várias escolas, despertou na população o espírito da organização, teve participação ativa na luta sindical e batalhou para que muitos agricultores conseguissem regularizar as escrituras de suas terras. Este grande líder tinha grande preocupação com a situação econômica e a formação profissional da população, por isso muito lutou para a realização de cursos técnicos em nossas comunidades, como “corte e costura” e “carpintaria” entre outros.
Nas comunidades recém criadas, ajudou a organizar vários grupos de jovens e no momento mais difícil da história de nossa população, lá estava ele, ajudando os flagelados da região, vítimas da enchente de 1974. Por tudo isso, essa lenda viva foi muito perseguida pela Ditadura Militar. Por defender a justiça e o bem estar da população, foi acusado de “subversivo’ pelos militares, até de “comunista” foi chamado.  Seu trabalho foi  espionando pelos agentes do DOPS que o denunciaram no ano de 1969. Processo que durou até 1971, quando foi inocentado das denúncias pelos tribunais militares de Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Sua permanência em nosso meio durou 12 anos e logo no primeiro ano do Município, esta grande pessoa foi homenageada pela Câmara Municipal de Vereadores ao receber o título de “Cidadão Benemérito de Mampituba”.
Diante deste rico histórico, não deve ter sido muito difícil descobrir que estava me referindo ao querido Padre Mariano Callegari, que entre os anos de 1964 e 1975, fez história nas comunidades da Paróquia Senhor Bom Jesus de Roça da Estância, mas seu trabalho estendeu-se até as comunidades de Mãe dos Homens e Pedra Branca em Santa Catarina. Numa época em que praticamente não haviam estradas, principalmente nas comunidades mais distantes, Pe. Mariano não media esforços para visitar seus fiéis, e  a pé ou a cavalo sempre estava presente para rezar suas missas. Ele que amava e ainda ama muito este povo, chamava carinhosamente nossos vales de “fundeirões” e recebia a todos com muito otimismo, é dele o jargão “Que Bom! Que Bonito!” muito conhecido até hoje por muitos em nosso meio.
Para mim é um orgulho saber que fui batizado pelas mãos de uma pessoa tão especial, que muito fez pela felicidade das pessoas, e que na hora mais difícil de sua vida não fraquejou, mesmo sabendo que era odiado por muitos e que sua vida corria perigo por causa da Ditadura Militar.
Craque em Foco: Em virtude da festa de São José Operário não assisti os jogos do final de semana, mas os que foram escolheram no sábado o goleiro Daniel do Santanense e no domingo o eleito foi outro goleiro, Fernandinho do Cruzeiro.
Leitor em Foco: O leitor da semana para quem mando meu abraço é o professor Ricardo Lumertz, que mora na comunidade da Cambraia e leciona na Escola Afonso Bedinot.
Coluna publicada em 20 de abril de 2012

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