sexta-feira, 30 de março de 2012

A complicada tarefa da renovação

               Começa amanhã mais um Campeonato Municipal em Mampituba. Durante quatro meses, o futebol será o assunto do momento e onde estiverem 2 ou mais pessoas reunidas, até agosto, nada será tão comentado como a Taça Inácio Ribeiro. Assim como nas edições anteriores, poucas serão as novidades nos fichários das equipes no que se refere aos atletas da casa. Isso porque está sendo difícil para praticamente todas as equipes conseguirem renovar seus elencos. Enquanto isso não acontece, não são poucos, os que passaram dos 35, as vezes 40 anos, que continuam absolutos como titulares em suas equipes. E aí vem a grande questão: Quem vestirá a camisa de nossas equipes daqui 5, 8 ou 10 anos?
            Das oito equipes de nosso campeonato o São Luís é a que tem conseguido revelar mais jogadores e apresentar uma boa perspectiva para os próximos anos. O Estrela do Sul também apresentou uma boa safra há alguns anos que vem se firmando e em breve poderá levar o time do Costãozinho a conquista de mais um título. Neste ano a diretoria do Cruzeiro está iniciando um trabalho de renovação para novamente ter uma equipe competitiva como acontecia há uma década atrás. A grande verdade é que o futebol é um ciclo, fazendo da renovação, uma obrigação para qualquer equipe que deseje se manter ativa nos próximos anos.
            Como citei aqui na semana passada, há algumas décadas  o futebol era a principal atividade de lazer para os jovens. Ou se jogava bola ou se ficava em casa, até porque eram muito poucos os que dispunham de um carro ou uma moto para se locomoverem. A principal alternativa nos domingos era subir no caminhão e acompanhar a equipe da comunidade nos amistosos que aconteciam quase todos os domingos. Isso sem contar os treinos que aconteciam nas tardes de quarta ou quinta feira, que lotavam os campos e quem chegasse atrasado, acabava ficando de fora do time principal e muitas vezes do próprio treino.
            Com poucos atletas nas comunidades, e a mudança de comportamento dos nosso jovens provocada pela chegada dos celulares, da internet e principalmente dos namoros cada vez mais precoces, o futebol tem ficado um pouco de lado. Tudo isso, aliado ao número reduzido de atletas nas comunidades, tem gerado muitas dificuldades para os clubes se manterem ativos durante todo o ano.
            Sem a realização de amistosos surge outro problema, o nível técnico de nossas equipes diminuiu consideravelmente. O futebol precisa ser praticado o ano inteiro, só assim surgirão os grandes jogadores e o futuro deste esporte tão apaixonante terá seu futuro garantido.
            O "Leitor Em Foco" desta semana é o gremista Marquinhos Lumertz, técnico campeão do ano passado pelo Cruz de Malta, que mostrou a importância da "união" para que um grupo alcance seu objetivo.

Coluna Publicada no dia 30 de março de 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

As porteiras da preservação

              No ano de 1993 juntamente com um grupo de amigos tive o prazer de  visitar o Canyon Itaimbezinho,  reconhecidamente um dos pontos turísticos mais belos e mais visitados de nosso país. Porém naquela época, o parque encontrava-se completamente abandonado, sem qualquer planejamento, sem guias, sem fiscalização, sem higiene, sem preocupação ambiental. Lá entrava-se a qualquer hora, e o lixo ficava acumulado debaixo das árvores e pelos gramados. O Itaimbezinho era um paraíso que estava sendo destruído pelo homem, pela falta de regras que disciplinariam as visitas no parque.
            Com o exemplo acima, vou direcionar meu comentário sobre as porteiras que ainda estão impedindo (em parte) a visitação na Serra do Silveirão. O Silveirão sempre foi e ainda é uma área de propriedade particular, sempre teve dono, onde a criação de gado e a extração de madeira foram as principais atividades econômicas. Na década de 70, a serra foi praticamente devastada pela  extração de erva-mate e, principalmente do pinheiro, que teve milhares de árvores derrubadas, naquilo que hoje seria considerado um “Desastre Ambiental” de grandes proporções.
            Atualmente a propriedade pertence a um grande grupo empresarial de Santa Catarina que por sua vez, arrendou a área (superior a 3 mil hectares) para um empresário de Criciúma, que a utiliza para lazer, criando em pequenas quantidades: bois, porcos, ovelhas, cabritos, galinhas, patos e gansos. Todo o trabalho fica a cargo de um caseiro, que por trabalhar e morar sozinho há pelo menos 8 km do vizinho mais próximo, não trata-se de um "capataz" como foi denominado em uma nota de jornal publicada recentemente.
            Estas porteiras encontram-se lá há muitos anos, para bloquear a passagem do gado e também proteger a fazenda da visita de estranhos, como acontece em qualquer propriedade. Mas desde o ano passado, graças a iniciativa da Administração Municipal em transformar a área num parque municipal, visando a proteção as nascentes e a transformação do local num área de visitação turística, a Serra do Silveirão passou a ser vista com outros olhos pela população, pouco a pouco, surgiram os primeiros turistas, visitando principalmente as cascatas, localizadas numa das mais belas paisagens do RS.
            A retirada das porteiras neste momento poderá transformar a paisagem do Silveirão semelhante a do Itaimbezinho há duas décadas atrás. É preciso dar um passo de cada vez. Com a Lei que Cria a APA Silveirão, estamos mais perto da criação de um Parque Municipal, que permitirá maiores investimentos do Poder Público na região, como a construção de Guaritas e a contratação de "guias" exclusivos para receber os turistas que com certeza não serão poucos.
            Estamos nos aproximando da época do pinhão, o leitor já deve imaginar o que aconteceria se o acesso até este paraíso fosse liberado completamente. O estrago que seria feito nas árvores, com a quebra de vários galhos para a retirada das pinhas que ainda encontram-se suspensas. Pelo bem do Silveirão, as porteiras devem ficar lá mais um pouco. Mas isso não impede que os interessados não possam contemplar a beleza da região. Basta entrar em contato com antecedência junto a Secretaria Municipal de Turismo, que será disponibilizado um condutor local e o acesso será permitido sem qualquer impedimento.

Coluna publicada no dia 16 de março de 2012

Uma paixão chamada futebol

No ano de 1944, mais precisamente no dia 22 de outubro, foi fundado o primeiro clube de futebol da região que hoje compreende o município de Mampituba. Era o Cruz de Malta que surgia, dando início a paixão da nossa população por esse esporte, que tornou-se o mais praticado e amado em todo o mundo. Os mais antigos contam que naquela época o esporte não foi muito bem recebido por parte dos moradores, que não olhavam com bons olhos a nova mania da juventude. Haviam proprietários que nem sequer aceitavam que as partidas fossem disputadas em suas propriedades, no caso, os gramados dos potreiros, até que o Sr. Afonso Bedinot resolveu no ano de 1944 doar o terreno para a prática esportiva, justamente onde até hoje, 68 anos depois, são disputados os jogos do Cruz de Malta.
Na década de 40, época da fundação do Cruz de Malta, a localidade nem sequer tinha o nome de Rua Nova, era chamada apenas de “Praia Grande do Lado de Cá”, nome originado devido a vizinhança com a vila catarinense do lado norte do rio, pertencente ao município de Araranguá, que somente viria se tornar município em 1959.
Na década de 50 o futebol se espalhou pelas comunidades do interior e em praticamente todas, havia pelo menos uma equipe organizada. Entre as novas equipes, destaco a fundação do Flor da Serra de Costão em 1954 e do Florestal de Vila São Jacó em 1957. Mas sem dúvida, o auge do esporte foi nos anos 60 e 70, onde a população via no futebol, sua principal atividade de lazer. Foram os anos dos amistosos (lembram dos depósitos que os visitantes traziam para casa?), das excursões, dos caminhões lotados, dos grandes torneios, eventos que reuniam 20, 30, 40 equipes num único dia, onde centenas de jogadores lotavam as praças de esportes, em jogos, que quase sempre acabavam nas disputas de penalidades  devido ao tempo de jogo super reduzido. Ter um grande cobrador de pênaltis era obrigação para quem pretendesse trazer o primeiro prêmio para casa.
Nos anos 80, a população das comunidades diminuiu por causa do êxodo rural e conseqüentemente muitas equipes deixaram de existir. O futebol de campo cedeu espaço então para um novo esporte, o “Futebol Sete” que veio com força e durante muito tempo reinou em nossas comunidades.
Após a criação do novo município em 1997, nossos clubes reapareceram e Mampituba conta hoje com oito equipes organizadas que disputam o campeonato municipal. Porém as dificuldades não são poucas para que elas sobrevivam. O número reduzido de atletas tem permitido que essas equipes se organizem apenas na época do campeonato e isso tem inclusive, afastado de alguns jovens o interesse em jogar futebol. Mas esse assunto será o tema da nossa próxima coluna.
"Leitor em Foco": A partir desta semana estarei lembrando aqui de amigos, leitores deste espaço, que acompanham nosso trabalho e que merecem nossa lembrança. O "Leitor em Foco" desta semana é o meu amigo e tocaio Luciano Raupp de Dom Pedro de Alcântara, um batalhador pela organização do esporte em toda região.
Coluna publicada na edição do dia 23 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um grande projeto

No dia 11 de julho de 2010 tive o privilégio de pela 1ª vez visitar a Serra do Silveirão, um lugar tão perto e tão longe ao mesmo tempo, devido ao isolamento causado pela ausência de um acesso decente para esta região, onde nascem os principais rios de Mampituba e municípios vizinhos. Minha curiosidade em visitar a serra era tão grande que abri mão neste dia de assistir a final da copa do mundo entre Espanha e Holanda. Lá pude conhecer as cascatas, o açude e o cemitério antigo, locais que sempre despertaram a minha curiosidade e que infelizmente era conhecido apenas por caçadores e por alguns trilheiros, os únicos freqüentadores do local.
Em julho de 2011 retornei ao Silveirão, onde  juntamente com autoridades municipais e da PATRAM foi iniciada a criação de um Parque Municipal com o objetivo de preservar as nascentes e posteriormente transformar o local num ponto turístico, principalmente em torno das cascatas e da linda paisagem serrana onde a araucária é a espécie predominante. Lembro bem neste dia quando as autoridades ligadas a PATRAM solicitaram que o primeiro passo a ser dado, fosse a recuperação do acesso existente, estrada que havia sido construída há mais de três décadas com o único objetivo de transportar as centenas de cargas de toras de pinheiro e erva-mate, que modificaram drasticamente a vegetação do local que até hoje ainda não se recuperou completamente.
De lá pra cá, cada um de nós assumiu um papel para a preservação do local. A Secretaria do Meio Ambiente está cuidando das questões legais, inclusive enviando para a Câmara de Vereadores um Projeto de Lei que cria a APA Silveirão, (Projeto aprovado pelo Legislativo Municipal que originou a Lei Municipal nº 654/2012), primeiro passo para a criação de um Parque Municipal, num projeto grandioso que deverá ser concluído a médio prazo. A Secretaria do Turismo está providenciando a confecção de placas de sinalização turística de todos os pontos turísticos municipais e para o mês de maio está sendo organizado um grande passeio na Serra do Silveirão que deverá reunir centenas de motoqueiros de toda a região. Nós da Assessoria de Imprensa estamos divulgando as imagens da serra nos meios de comunicação locais e regionais, com o objetivo de que toda a população se mantenha informada deste projeto. A Secretaria de Obras não mediu esforços para a recuperação da estrada que da acesso a Serra, trabalho que foi concluído ainda no ano passado.
Esta semana fomos surpreendidos com uma nota em um jornal local onde um cidadão "mampitubense" de forma, a meu ver  deselegante, procurou manchar este trabalho, insinuando que alguns "engraçadinhos" poderiam estar se apoderando da área. Como acompanho este trabalho desde o início (chegando inclusive a enfrentar o maior frio de minha vida no inverno passado, somente para ver se conseguiria fazer algum registro de neve no local) me senti ofendido com tal nota, recheada de injustiças e intenções provavelmente politiqueiras, resolvi dedicar este espaço para esclarecer melhor esta questão para toda a população, pois um trabalho pioneiro desse não pode ser manchado desta maneira.
Semana que vem volto a tratar do assunto para esclarecer o porquê da existência das "porteiras de ferro" na estrada que leva a Serra do Silveirão.

Coluna publicada em 09 de março de 2012.

Vem aí a Taça "Inácio Ribeiro"

             Assim como já aconteceu em 2010 com a Taça Eurides Bertoti, a homenagem deste ano ao desportista Inácio Ribeiro, que por muitos anos esteve a frente do time do Rio de Dentro, é mais do que merecida. Parabéns à diretoria do São Manoel pela lembrança ao trabalho realizado pelo Seu Inácio, diante de tantos outros que poderiam e também mereceriam esse reconhecimento.
Fichários
Sem as correrias que alguns dirigentes faziam anos atrás, na hora de fichar alguns jogadores de fora, foram entregues aos clubes esta semana, os fichários para a Taça Inácio Ribeiro, que deverá começar em 31 de março na sede de Mampituba.
Mais uma vez a competição terá três fichas de fora por equipe, o que na minha opinião, é a melhor alternativa para que nosso campeonato, tenha um nível técnico razoável, sem comprometer as finanças de nossos clubes.
Alguns dirigentes defendem a idéia do retorno das competições somente com atletas da casa, com a justificativa de que as fichas de fora encarecem o campeonato. Embora respeite este ponto de vista, eu não concordo com esta tese, pois na minha opinião quem encarece a competição são os próprios dirigentes, que de maneira quase que irresponsável, acabam pagando valores exorbitantes aos jogadores, que muitas vezes não são merecedores daquilo que recebem para jogar. O custo-benefício de muitos é elevado, tornando a competição deficitária para a maioria de nossos clubes. Vale lembrar que são os dirigentes e não os atletas, que proporcionam a origem dos chamados "leilões", apresentando propostas elevadíssimas, fora da realidade financeira de nossas comunidades.
Nos primeiros anos do Municipal de Mampituba, se fichava grandes jogadores a custo de 20, no máximo 30 pagantes por jogo, e olha que foi justamente nesta época em que nosso campeonato atingiu seu auge em técnica e emoção. Hoje o custo por partida de um jogador de nível mediano, não baixa de 50, 70, 80 ingressos. Ou seja, hoje precisa-se de muito mais torcedores nos jogos para bancar a mesma despesa que se tinha a uma década atrás.
Sugiro que cada diretoria, haja com responsabilidade e estabeleça um “teto financeiro” para as fichas de fora, diante da realidade de cada clube, levando-se em conta, a arrecadação e o custo por partida que a equipe terá pelo menos na primeira fase. Tenho certeza, que em 2 ou 3 anos, quem hoje pede duzentos reais por jogo, em breve estará assinando o fichário pedindo menos da metade disso,  o que seria o mais justo, considerando a nossa realidade.

Coluna publicada em 02 de março de 2012

Banho de Cachoeira

Inicia neste final de semana a festa pagã mais popular  de nosso país, o “Carnaval”, onde milhões de foliões aguardam com ansiedade a chegada dos quatro dias em que a alegria e a libertinagem tomam conta das nossas cidades. Entretanto não são todos que simpatizam com o Carnaval, existem  aqueles que aproveitam o feriadão simplesmente para descansar, para pegar uma praia ou visitar lugares diferentes, em que o sossego sobressaia sobre o barulho dos foliões e dos famosos “trios elétricos”.
E se você amigo leitor, tem um tempinho de sobra neste feriadão para realizar um passeio turístico diferente com a sua família, sugiro um gostoso “Banho de Cachoeira” na Cascata dos Borges, que localiza-se na comunidade de Rio da Invernada, há 18 km do centro de Mampituba. Um banho de cachoeira além de super refrescante, lava a alma e tira do corpo o stress do dia a dia, proporcionando ao banhista momentos inesquecíveis, principalmente para aqueles que estão gozando das férias apenas com os banhos de mar, e que estão a procura de novos atrativos.
A Cascata dos Borges com seus 70m de altura está distante há pouco mais de uma hora de carro da cidade de Torres. Situada aos pés da Serra Geral, tem seu acesso através de uma trilha em meio a mata virgem, onde a câmara digital é companhia obrigatória, para registrar a riqueza da fauna e principalmente da flora, existente em nossa região.
Próximo a cascata, o visitante pode conhecer na comunidade de Roça da Estância o “Museu da Estância”. Localizado na propriedade do colecionador Vilson do Nascimento, o museu, que conta hoje com mais de 20 mil peças, é fruto de um trabalho incansável de seu proprietário, que há 28 anos reúne antiguidades, principalmente utensílios e ferramentas usadas pelos primeiros moradores da nossa região. Atualmente o museu tem recebido muitas relíquias oriundas de doações de voluntários amigos do Sr. Vilson, que encantados com a iniciativa pioneira na região, resolveram ampliar o acervo do local, que retrata com fidelidade o modo de vida de nossos antepassados. Não bastasse o dom de colecionador, Vilson também é músico, artesão e acima de tudo uma figura humana incrível, que sabe acolher a todos com muita simplicidade, tão característica do homem interiorano.
Para encerrar o passeio, que tal saborear o já tradicional “Café com Mistura”, na propriedade da Sra. Maria Zanete Alves (servido apenas sob encomenda) em Roça da Estância, rico em variedades típicas da região, com pães bolos, cucas, tortas, broas, etc. Um café colonial para encerrar com chave de ouro um passeio pelo interior do município de Mampituba, que com toda certeza vai transformar esse Carnaval como o melhor dos últimos tempos.
Para informações sobre a trilha até a Cascata, entrar em contato com o Guia MMTUR Francisco Reis através do fone (51) 9916.7385. Para reservar o Café com Mistura com a Sra. Maria Zanete, ligue para (48) 9107.7435, com 24 horas de antecedência.


Coluna Publicada em 17 de fevereiro de 2012