sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A esperança que vem do campo

No último final de semana, participei no município gaúcho de Santa Cruz do Sul da "2ª Festa e Feira da Agricultura Camponesa", um evento organizado pelo MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) que reuniu um grande número de camponeses de todo o Estado do Rio Grande do Sul. Debaixo de um calor insuportável, me deparei com um grupo de agricultores organizados e preocupados com o futuro da agricultura em nosso país. Na “Capital do Fumo” pude ver de perto o drama da seca que atinge a maioria dos municípios gaúchos neste verão de 2012. Lavouras comprometidas e açudes praticamente secos, constituem uma paisagem desalentadora, prevendo que o ano que recém iniciou deverá ser duro para um grande número de gaúchos.
            O bom desses encontros, é que além do conhecimento adquirido, a troca de experiências e as novas amizades são uma constante, como as que fiz com os fumicultores do Vale do Taquari, que enfrentam o mesmo drama vivido pelos produtores de tabaco da nossa região: a falta de incentivos por parte do Governo, associada a exploração "sem dó nem piedade" das empresas fumageiras na hora da venda, estão deixando o fumicultor num beco sem saída, com sérias dificuldades para encontrar outra cultura que se viabilize em pequenas áreas de terra, esse que durante décadas, foi o grande diferencial da fumicultura em relação as outras culturas.
            Durante a feira, presenciamos o artesanato indígena e produtos orgânicos das mais variadas formas e espécies, que tentam se estabelecer num mundo ainda voltado e estruturado para a agricultura convencional, fundamentada a base da aplicação de venenos e da adubação química. Até um herbicida ecológico eu encontrei por lá, produto que se confirmar o resultado prometido, deverá substituir o tradicional “Glifosato”, o herbicida mais utilizado em nosso país, principalmente após a proliferação das sementes transgênicas.
            Para combater o desequilíbrio ambiental e garantir soberania aos agricultores no domínio sobre a tecnologia da produção de sementes, o MPA tem investido fortemente na divulgação e distribuição de sementes crioulas. Cerca de 180 toneladas destas  sementes já estão plantadas em vários estados brasileiros, sendo que várias bolsas estão sendo testadas no município de  Mampituba e já deverão ser colhidas nos próximos meses.
            Eu que tanto ocupei este espaço nas últimas semanas para escrever sobre a relação da juventude com as drogas, acabei me deparando em Santa Cruz do Sul com o “Levante Popular da Juventude”, um evento paralelo a festa, que reuniu cerca de 1200 jovens de todo o Brasil. Foi muito bom, após muitos anos, presenciar novamente um grupo de moços e moças que se reúnem para falar sobre questões sociais, meio ambiente, resgate da cultura e luta contra todos os preconceitos. Mas nem por isso, eles deixam de fazer festa e se divertirem com responsabilidade, como aconteceu no grande show de sábado a noite, que levou ao palco as mais variadas expressões musicais, representando em Santa Cruz a riqueza cultural de nosso país, que por sinal não existe igual em nenhum outro lugar do mundo.

Coluna publicada na edição do dia 10 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O fim do mundo

Já faz tempo que uns malucos andam pregando que o mundo enfim vai acabar este ano, mais precisamente em 20 de 12 de 2012.  É claro que tudo não passa de uma maluquice, embora muita tenha gente que goste de acreditar nestas coisas, da mesma forma, como é estranho, que a  grande imprensa goste de dar tanto espaço para essas baboseiras, em vez de divulgar iniciativas que lutam pela construção de um mundo mais justo, principalmente nas questões ligadas ao meio ambiente.
Mas independente do mundo acabar ou não daqui há 321 dias, é inegável que 2012 não está sendo um ano igual aos outros e que fatos nada comuns estão acontecendo aos montes. Em exemplo foi o naufrágio  do navio Costa Concórdia na Itália, que virou a poucos metros da praia, numa tremenda barbeiragem do Capitão Francesco Schettino. Quem também naufragou esse ano foi a credibilidade da Globo em relação ao programa Big Brother, que transmitiu "ao vivo" para todo o Brasil em seus canais por assinatura, cenas de um possível estupro, talvez o "único" crime do tipo até hoje na história, que contou com o consentimento da vítima. Não bastasse  o imbróglio, o fato acabou deixando suspeitas de racismo, devido com a forma estranha em que o participante foi expulso da casa, sem qualquer direito de defesa.
Acidentes de trânsito infelizmente são normais, mas um acidente envolvendo um casal  de atores famosos (Thiago Fragoso e Danielle Winits) que desabaram de um altura de 5 metros sobre a platéia, devido ao rompimento de um cabo de aço, como aconteceu no último final de semana no Rio de Janeiro, é algo inacreditável. Pior para Thiago. que permanece internado sem previsão de alta, com  uma fratura na costela e ferimentos no pulmão. Falando em Rio de Janeiro, não podemos deixar de citar entre as barbaridades de 2012, o desabamento de 03 prédios, causando a morte de 22 pessoas, provavelmente por causa de uma reforma no nono andar de um dos edifícios.
Mas a prisão da cantora Rita Lee em Aracaju, da forma como aconteceu ainda tem sido na minha opinião o fato mais inusitado do ano até agora. Enquanto  milhares de famílias em nosso país estão sofrendo ao verem seus filhos perdidos no vício das drogas e reféns do crime organizado. Incredulamente vemos uma senhora de 64 anos, fazendo apologia ao consumo da maconha. Ela que possui um talento musical inquestionável, possuidora de uma carreira de quase 50 anos e mais de 60 milhões de discos vendidos, poderia muito bem ter usado toda a sua influência e carisma para alguma coisa mais útil a sociedade do que estimular o consumo de drogas. Esquece ela, que todos os "baseados" consumidos em seus shows, são de origem criminosa e trilharam um caminho nebuloso, passando pela mão de traficantes, que infiltrados em todos os cantos, aliciam menores nos portões das escolas, levando nossos jovens a destruição total nas bocas de fumo e nos arrabaldes de nosso país.
A sociedade precisa se unir para enfrentar de frente a endemia das drogas. Homens, mulheres, ricos, pobres, religiosos ou não, patrões e empregados, todos são fundamentais nesta batalha, principalmente os artistas, pelo enorme poder de influência que possuem sobre a sociedade. Mas pelo que parece, essa idéia  infelizmente não é compartilhada pela Sra. Rita Lee Jones Carvalho.

Coluna publicada na edição do dia 03 de fevereiro de 2012